Há coisas que têm prazos de validade. Têm duração limitada, uso limitado. Têm, ponto. Não vale a pena lutar contra isso. Há outras que não têm. Duram para toda a vida. O mal é saber distingui-las.
O outro dia, em algum blog (peço desculpa mas não me lembro qual), alguém perguntava porque acaba o amor. Não sei mas vezes há em que acaba, em que se desgasta.
É - acho, talvez, não sei, suponho, pode ser - a frívola vidinha do dia-a-dia, as atitudezinhas pequeninas, as interpretações, que o desgastam. A rotina e as manias são normalmente bodes expiatórios. Eu não acho q sejam elas as culpadas. Acho que a rotina é apreciada quase sempre, é a estabilidade e a segurança, é o ninho onde se quer voltar quando já não está. E as manias, as manias são aquelas pequenas coisas que conhecemos, toleramos e amamos, que achamos graça e com que nos metemos com a pessoa que amamos.
O que desgasta são as atitudezinhas irresponsáveis, os "defeitos" de carácter que são pertença de um lado e não dos dois. É a mudança na maneira de ver a pessoa com quem se está. Deixa-se de "admirar", deixa-se de se ter "orgulho" na pessoa que temos ao nosso lado. A partir daí as maniazinhas irritam e a rotina sufoca.
Isto é sinceramente o que acho.
E ainda acho mais. Acho que neste momento estamos a viver qualquer coisa deste tipo. Acho que estamos e acho que é uma altura inglória porque não só mudaste a maneira como me vês como essa mesma maneira de ver e as justificações que tens como certas para as escolhas que faço não são as reais.
Sei que somos diferentes - sempre fomos. Pouco ou nada temos em comum, tudo bem, nunca tivemos. Mas sei que antes, quando não apanhavas uma atitude minha me perguntavas porquê e me ouvias. Normalmente ficavas calada quando te respondia e só no dia seguinte é que puxavas de novo o assunto, para perguntares mais e melhor o porquê. E chegavamos à conclusão que não terias feito isso dessa maneira e que não teria sido melhor nem pior, só diferente - o que é natural já que somos diferentes. Lembras-te de fazer isto? Lembro-me de olhares para mim com a estranheza entranhada no olhar. Lembro-me de ficar descansada quando no dia seguinte a meio do nada puxavas de novo a conversa já sem essa estranheza. Não te lembras?
Agora estamos num ponto perigoso em que não perguntas e assumes que o faço por razões que não são as verdadeiras. Digo-te que não as são e vejo um sorriso de "tolerância" como quem diz "sim... o que tu quiseres... para proteger o teu ego..." e não acreditas. Não dás crédito às razões que te dou. A estranheza preparada para parar e repensar deixou de existir e passou a haver apenas a tua razão e a maneira de encaixar o que não te faz sentido naquilo que faz. À custa da morte de quem sou de verdade para uma coisa onde não me revejo, nunca fui e dificilmente serei.
É isto.
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
...
Postado por
tagarelante
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17:22
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13 postas de pescada:
Não me posso pronunciar em relação a um assunto que está de licença sem vencimento na minha vida...
Mas acho que nós tentamos racionalizar demasiado as coisas procurar explicações onde por vezes apenas existe uma data de expiração que venceu, um desinteresse ou um fall out of love... sem porquês de grande relevância. não dá, pq já não dá.
A água é molhada o céu é azul e nada dura para sempre...muito menos numa sociedade de consumo rápido e incessante.
Hum... e obrigada pelo teu comentário, eu também nunca andei com uma lésbica (pelo menos que o fosse antes de eu aparecer)...
Sim são cerca de 95% de straights... daqueles à seria, mas tb nunca se sabe...
Bjs
Muitas vezes é o que acontece... culpamos a rotina quando é, de facto, o lado certo das coisas...
Errado é quando começamos a criar a personalidade d@ outr@ e não nos deixamos ver a realidade.
Cometi esse erro apenas para perceber que a minha namorada tem o coração mais lindo que alguma vez conheci, e não o vi nela até ter uma lição de amor...
se quiseres ser um bocadinho mais explícita e dizer-me que posso eu fazer para inverter esta situação, agradecer-te-ei eternamente para todo o sempre!... :)
Acho que o que aqui acabaste de fazer é um importante passo para solucionar o impasse em que se encontram, onde as dúvidas são permanentes.
O reflectir, o pensar no que se sente e o expressarem isso uma à outra, sem filtros, deixando de lado receios do peso das palavras, é sempre um bom caminho. Muitas, quase sempre, um caminho doloroso. Mas construir uma relação nunca será fácil, pelo menos não numa verdadeira relação.
Encarar esses problemas, essas dúvidas, esse desmorecer de uma sensação de segurança pelo distanciamento ou qualquer outra razão, é sempre o caminho para a solução.
Agora,é preciso coragem. Muita coragem!
Espero ter ajudado.
**
A pergunta "Porque acaba o amor?" foi lançada por mim perante a impotência de dar uma resposta a uma amiga. O conselho que lhe dei posso-to deixar aqui: numa relação há que falar, há que expôr os problemas, ser sincera para encontrarem em conjunto forma de o fazer perdurar por muitos e bons anos.
Sejam felizes!
Ah poizé bebé!!! A falar é que a gente se entende ;)
Tagarelar é comigo, meu doce!
Bom dia:)
o amor morre em qualquer lugar para nascer num outro lugar qualquer...
enquanto te lia atentamente, este parágrafo tocou-me especialmenete: "Agora estamos num ponto perigoso em que não perguntas e assumes que o faço por razões que não são as verdadeiras. Digo-te que não as são e vejo um sorriso de "tolerância" como quem diz "sim... o que tu quiseres... para proteger o teu ego..." e não acreditas."...
todos dizemos que aceitamos que mudamos, porque estamos em constante mudança, mas o estigma das ideias formadas anteriormente por erros cometidos, quando relaccionados com "as nossas falhas" continuam sempre...digo eu, que passo por isso há uns tempos...falhei, errei, sim! melhor, reconheci...mas agora terei de "pagar" por isso para sempre?!...perde-se o "crédito"?!...e não raras vezes andamos em círculos...boas conversas...a maior parte das vezes de "surdos"...pela falta de vontade de ler lábios, nem escutar corações...para mim, egoísmo"...cansaço, descrença...diz "ele"!...
mas continuo a acreditar que o amor morre para nascer em qualquer outro lugar:)
e o mais importante, é acreditar que em mim e nas minhas verdadeira razões...doi o outro não lhes dar uma oportunidade...but that's life!:))
=)
penso que o seu amor já disse tudo...
toca a tagarelar com a sua Tagareladora, menina Tagarelante. ;-)
A rotina corroi, desgasta e se não estamos atentas quando damos por isso já é tarde. Estou num amor de 15 anos. Sentidos, vividos, sofridos mas sempre com a cautela de romper com a rotina. Quando quer o espaço dela eu vou passar uns dias fora, quando quero o meu canto faço a mala e lá vou eu. Se quer sair sem a minha companhia sai e o mesmo se aplica a mim. Mas das duas sou sem dúvida a mais equilibrada. Basta dizer que ela é Carneiro e eu sou Balança! No inicio assustava-a o facto de ser uma paixão tão forte e se seria amor e só aceitva um minimo de 7 anos. O certo é que já lá vão 15 e sei, sinto que será para todo o sempre. Há algo que nunca falta, o diálogo, o respeito e partilha. Com isto garanto-vos que se consegue ultrapassar todas as contrariedades da vida e da rotina. O segredo de uma vida em comum é respeitarmos o espaço, o tempo, o silêncio. É sabermos que estamos, sempre!!!
By Waves
Uma relação não é a 2. No minimo é a 4. Eu a outra pessoa, o espaço e o tempo. Umas vezes precisas mais dela, outras de tempo, outras de espaço. Ora a outra pessoa necessita exactamente da mesma coisa. As relações n´~ao são estáticas, evoluem, por ela própria, pelo eu de cada um, e pelas circunstancias que nos envolvem... Não te foques nessa atitude especifica porque é condicional. Analisa as condições da atitude. Talvez essas conversas não estejam a decorrer no local nem na altura certa... Conjuga as 4 condições e dá um passo de cada vez. Se não puseres a comida no forno e se não esperares o suficiente, concerteza não terás almoço...Beijinhos
boa tarde!
minhas amigas, têm um selo lá na minha casa. ;-)
bom fim-de-semana.
bjs
Bonita reflexão.
Parabéns, pelo prémio da Xinha.
E viva o amor!
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